Um estudo sueco propõe que filhos melhoram a qualidade e expectativa de vida de homens e mulheres.

A princípio, pode não fazer sentido: um filho muda a rotina do casal. No começo, as horas de sono diminuem; a preocupação com a cria aumenta a cada dia: alimentação, cuidados, adaptação da casa para o conforto dos filhos, nada de cinema, bares, jantares até tarde… a programação da família é feita com base nos lugares que não incomodam os herdeiros. Você aprende a programação da TV a cabo sobre desenhos; fica ligado em tudo relacionado ao universo dos pequenos. Ufa!

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dos homens* ainda não são pais

O que parece ser difícil torna-se prazeroso. E pode fazer muito bem para sua vida.

Cientistas do Instituto Karolinska (Suécia), então, basearam-se em um registro nacional para entender a relação de expectativa de vida e risco de morte em cerca de 1.5 bilhões de pessoas nascidas entre 1911 e 1925. Enquanto os fatores de risco aumentam conforme a idade, eles descobriram que ter filhos aumenta a expectativa de vida de pessoas mais velhas, diferente daquelas que não não se tornaram pais e mães.

Filhos + expectativa de vida

Aos 60 anos, homens com filhos tinham até 20 anos a mais de expectativa de vida. Os homens que não eram pais, apenas 18. Para as mulheres, a lógica é similar: 24.6 anos contra 23.1 anos. E a escalada continua: perto dos 80, a expectativa era de 7.7 anos a mais contra 7; 9.5 anos e 8.9 para as mulheres. O contraponto: a pesquisa descobriu o benefício para quem tinha somente um filho.

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Ter um filho é uma experiência inexplicável. Desde o momento da concepção até o nascimento, nós criamos uma intensa expectativa de como será aquela nova vida. Claro, existem outros motivos que ganham nossa atenção: pessoais ou financeiros.

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dos homens* querem ter filhos

“Para o homem, muitas vezes, a paternidade acontece durante o ápice da carreira ou consolidação profissional. Por isso, decidir ter uma família e filhos requer maturidade, flexibilidade, espírito de adaptação, além de sensibilidade para buscar equilíbrio entre a participação e presença na vida dos filhos, mesmo que às vezes isso aconteça à distância”, diz Eduardo Shinyashiki, mestre em neuropsicologia e especialista em desenvolvimento das competências de liderança aplicadas à administração e educação.

Shinyashiki ainda explica que para o saudável desenvolvimento afetivo das crianças, é fundamental estar envolvido na vida dos filhos, muito mais com disponibilidade emotiva do que de tempo. “E, ao contrário do que muitos pensam, a vida profissional não é empecilho para isso. A receita para esse equilíbrio é simples: ter claras as próprias prioridades, pessoais e profissionais e dosar bem as energias e o tempo dedicados a essas prioridades.”

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“Muitas vezes, a paternidade é um processo muito solitário. A mulher, quando descobre que está grávida, tem o apoio da família, dos amigos, de médicos e até de psicólogos. Ela tem muita gente ao seu redor para compartilhar angústias e tirar dúvidas. Mas, e o pai? Em quem ele se apoia neste momento em que não pode ser frágil perante sua companheira?”, pergunta Maria Aparecida das Neves, psicóloga pela Faculdade Paulistana de Psicologia.

De acordo com ela, acompanhar o processo da gravidez, desde o início, é uma das formas de construir-se enquanto figura paterna, a partir das próprias crenças e experiências. Falar com amigos que já têm filhos, ler muito a respeito e inteirar-se o máximo possível sobre o desenvolvimento do bebê é uma maneira de ser o mais participativo possível no processo.

Na opinião da especialista, isso é muito importante, não apenas para a formação do homem como pai, mas também para a criança – que, ao ter um pai participativo, construirá uma relação mais sólida com ele e com o mundo.

*Pesquisa realizada com 181 homens.

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