Você pode até pensar que a maioria das dietas não funciona para nada, mas a ciência tende a provar que isso não é verdade.

Inclusive, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Hospital Clínico de Barcelona (Espanha), a dieta do Mediterrâneo – aquela rica em frutas, vegetais, peixe, grãos, mas que não contempla quase nada de carne vermelha – pode blindar a saúde de seu cérebro contra o avanço da idade. Adicione azeite de oliva e nozes e bingo! Você tem o pacote completo anti-envelhecimento da mente.

Segundo pesquisadores espanhóis que conduziram o estudo, idosos que seguiram a tal dieta tiveram melhoras significantes na memória e no raciocínio lógico. Muito mais do que pessoas que simplesmente fazem uma dieta com pouca gordura. “É possível diminuir os impactos do envelhecimento no cérebro mediante uma dieta rica em alimentos com alta concentração de antioxidantes, como o azeite de oliva e as nozes”, explica Emilio Ros, um dos diretores do hospital e responsável por conduzir o estudo. “Além disso, como a idade média dos participantes deste experimento é de 67 anos, podemos dizer que nunca é tarde demais para mudar a alimentação e melhorar a função cerebral”, completa.

O estudo foi publicado no dia 11 de maio no Journal JAMA Internal Medicine. 

/ Afinal, o que a dieta do Mediterrâneo tem de tão especial?

Ela é considerada uma das mais saudáveis do mundo, sobretudo para o coração, já que privilegia alimentos frescos e naturais. Assim, elimina de cara os aditivos químicos como conservantes, corantes, essências, além do excesso de sal e açúcar, presentes na maioria dos alimentos industrializados.

Os alimentos mais consumidos dentro desse plano alimentar são os peixes, frutas, vegetais, castanhas, grãos integrais, laticínios leves, vinho e o azeite, a gordura mais saudável para consumo tanto a frio quanto a quente. “Estamos falando de uma dieta focada apenas no consumo de alimentos que trazem algum tipo de benefício à saúde, por isso os industrializados são praticamente extintos do cardápio”, diz Renata Graziela, nutricionista clínica da empresa Bem Estar Light.

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Clinicamente falando, a dieta traz benefícios devido a razão elevada entre gordura monoinsaturada e saturada. Dentre os ingredientes, destaca-se o azeite de oliva, como citado acima. Ele tem sido reconhecido como importante aliado na redução das doenças cardiovasculares.

Segundo Carlos Alberto Nogueira de Almeida, médico especialista da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), pesquisadores já chegaram a importantes conclusões. “Destacam-se os efeitos benéficos no perfil lipídico do azeite, já que auxilia na redução do LDL (colesterol ruim) e aumento da razão HDL (colesterol bom). Também reduz a oxidação do LDL, que é responsável pelo processo inflamatório que acontece nas placas de aterosclerose do coração, precedendo o infrator”, afirma de Almeida.

De acordo com o especialista, o azeite contribui ainda para o controle da pressão arterial, melhora a função da parede interna dos vasos sanguíneos, prevenindo a hipertensão arterial e a formação de placas de aterosclerose. “Além disso, promove um ambiente menos propenso à coagulação, que acontece exatamente no momento em que um infarto se inicia”, completa.

Os chefs de cozinha também exaltam a versatilidade do ingrediente, que une a saudabilidade a sabores inconfundíveis. “Utilizo o azeite em boa parte dos pratos que preparo no Torero Valese, desde os alimentos fritos até as sobremesas”, diz Juliano Valese, especialista na gastronomia mediterrânea. O renomado chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, destaca ainda que o azeite também vai bem na culinária brasileira. “Temos um cardápio composto em sua maioria por pratos típicos do Nordeste e, em alguns deles, substituimos outros tipos de gordura pelo azeite, chegando a resultados muito interessantes em termos de sabor”, diz.

No Brasil o estilo de vida e os hábitos alimentares têm mudado aos poucos. A população tem praticado cada vez mais atividades físicas e buscado opções mais saudáveis para se alimentar. Porém ainda se consome pouco azeite por aqui quando comparado a países que adotam alimentação rica em nutrientes.

Isso porque nestes países ele é praticamente a única gordura utilizada, desde o preparo à finalização das receitas. “Os portugueses, mesmo fora do Mediterrâneo, consomem em média 7 litros per capita ao ano, espanhóis 12 litros e os gregos chegam aos 20 litros. O fato de serem produtores de azeite contribui para que o uso seja naturalmente maior, porém reconhecê-lo como a gordura mais saudável que existe é o que mais motiva seu consumo”, diz Loara Costa, gerente de marketing da Sovena, maior produtora de azeite do mundo.

No Brasil a baixa penetração nos lares faz com que o consumo ainda seja muito pequeno em relação aos principais mercados: cerca de 400 ml per capita ao ano.

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