Por anos a indústria de alimentos naturais (e também as blogueiras fitness) promoveram o óleo de coco como uma alternativa saudável à sua dieta. Acontece que, de acordo com a ciência, isso pode estar longe da realidade.

Isso porque muitos dos benefícios no consumo do óleo de coco dizem respeito às gorduras saturadas presentes na fruta. Alguns pesquisadores propõem que uma parte dessa gordura aja de forma diferente de todo o resto quando ingerida, e possivelmente eleve o nível do colesterol HDL (o colesterol bom).

Aí que o bicho pega.

Uma revisão de 21 estudos sobre consumo de óleo de coco, publicada no periódico Nutrition Review, concluiu que os benefícios dessa substância ainda são muito imprecisos, quiçá errôneos. O ponto principal da crítica: essa conta de mais HDL proveniente do óleo de coco não bate. Primeiro porque a porcentagem de gordura saturada na composição da fruta seja 92%. E, de acordo com a Associação Americana do Coração, esse nível impacta muito mais o colesterol ruim, conhecido como LDL. A consequência: aumento no risco de doenças cardiovasculares, principais causas de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “A manteiga, por exemplo, tem cerca de 64% dessa gordura ruim”, explica a cardiologista Holly Andersen, do Hospital Presbiteriano de Nova York (EUA).

Para Valdir Lippi Júnior, cardiologista do Hospital Santa Cruz, de Curitiba, o colesterol em excesso, principalmente na fração LDL, se deposita entre as camadas das artérias coronárias formando uma placa de gordura. “Com uma progressão avançada, estas placas diminuem o fluxo de sangue e fragilizam o vaso sanguíneo podendo se romper”, exemplifica.

A controvérsia do óleo de coco

O segundo ponto do alerta: se o HDL é bom, supõe-se que quanto mais alto, melhor, certo? Errado! E essa negativa vem de um novo estudo divulgado no Journal of American College of Cardiology

Os cientistas descobriram que teor elevado de colesterol HDL no organismo não é certeza de blindagem contra ataques cardíacos ou derrame. E, pior ainda: no estudo, pessoas com alto nível de HDL no sangue (acima de 70 mg/dl), na verdade, tinham maior risco de morte por acidente vascular cerebral e doenças coronárias, em comparação com aquelas com índice considerado normal (cerca de 41 a 60 mg/dl).

 

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Ainda existe um terceiro e preocupante espectro: os cientistas que conduziram essa revisão de 21 estudos sequer encontraram evidências de que o óleo de coco efetivamente aumente o nível de HDL no organismo, tampouco seja capaz de reduzir o risco de mortalidade por AVC ou doença cardíaca. “Não há realmente nenhuma evidência direta de que o óleo de coco seja uma gordura saudável,” descredita Walter Willett, diretor do departamento de nutrição da Universidade Harvard (EUA), em entrevista ao portal de notícias norteamericano Fox News.

Talvez seja melhor repensar as dicas de dieta daquele blogueiro fitness.

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