Aparentemente, não é só você que fica relaxado e lesado depois de fumar maconha. Seus espermatozoides também são afetados pelo fumo constante de baseado.

Apesar dos diversos estudos que apontam benefícios no fumo de maconha – seja medicinal, seja recreativo – cientistas da Universidade da Columbia Britânica (Canadá) descobriram evidências significativas de que a planta pode diminuir não só a contagem de esperma saudável como também afetar negativamente o desempenho dos espermatozoides. O resultado pode ser infertilidade.

O dado é corroborado pela Universidade de Copenhague (Dinamarca), que constatou em estudo que fumar um diminui em 29% a contagem de espermatozóides saudáveis no organismo.

Victor Chow, cientista que liderou a pesquisa, revelou que os espermatozoides de quem fuma um banza nadam em círculos e não chegam ao destino final, que seria a fecundação. Ainda não se sabe, de fato, por que isso acontece. Um estudo realizado em 2003 pela Universidade de Buffalo (EUA) propôs que o THC (tetrahydrocannabinol) altera o timming e o padrão de comportamento dos espermatozoides, que também tiveram a capacidade de atacar e fecundar o óvulo reduzidas.

Porém (e sempre tem um porém), neste estudo de 2003, o movimento foi contrário: a líder da pesquisa, Lani J. Burkman, professora-assistente de urologia e chefe na seção de andrologia da Escola de Medicina e Ciência Biomédica da Universidade de Buffalo (EUA), relatou que os espermatozoides se movem muito rápido e cedo demais, o que contraria a tese do estudo que abre esta notícia. “O que ocorre é a redução da vida útil dos gametas, que não chegam ao óvulo”, explicou. A análise foi feita com 22 homens que relataram fumar maconha cerca de 14 vezes por semana. “Apesar de ser possível um consumidor de maconha engravidar uma mulher, todos os dados sobre uso do THC levam a crer que a infertilidade é uma resultante”, completou Burkman.

A especialista também apresentou, no passado, uma pesquisa comprovando que os espermatozoides possuem receptores de canabinoides, já que o próprio organismo produz uma forma natural deste químico (mas esse tema fica para um outro dia).

É preciso ressaltar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a ejaculação de um homem saudável tem, em média, 15 milhões de espermatozoides por ml, podendo chegar a 300 milhões (uma ejaculada comum tem de 1,5 a 5 ml de sêmen). Ou seja, em uma transada, você pode disparar 1,5 bilhão de espermatozoides (uau!).

Então, tratar a maconha como um anticoncepcional está fora de cogitação, hein?

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/ Maconha e saúde

A infertilidade não é o único problema causado pelo fumo de maconha. A Universidade do Sul da Austrália descobriu que existe diferença na forma como andam as pessoas que consome baseado: os ombros são mais rígidos e as juntas mais “soltas” durante a caminhada. Contudo, os pesquisadores não encontraram discrepâncias no equilíbrio e funções neurológicas de quem fuma perante aos não fumantes.

Ainda pelo lado negativo, fumar maconha pode aumentar a pressão arterial e afetar o fluxo sanguíneo nos homens, enquanto, nas mulheres, pode impactar o crescimento do feto durante a gravidez.

De acordo com os cientistas, o processo é reversível em três meses, já que o THC fica estocado no tecido adiposo (gordura) por um longo período.